João Lourenço*
O mundo tem pela frente um grande desafio: tomar consciência da situação, para mudar o estado do atual modelo de crescimento no mundo novo em plena revolução robótica e demográfica. Teremos menos recursos, porque estamos a esgotar muitas matérias-primas fundamentais à vida e que são finitas.
O mundo do trabalho está perante uma transição que obriga a mudanças no trabalho e nos empregos atuais e futuros, face à globalização e à economia capitalista, com consequências graves para o castigado meio ambiente climático, causa que obrigará a ter limites ao seu desenvolvimento e crescimento.
Os objetivos do trabalho é o de satisfazer as necessidades e a realização social individual e coletiva garantindo a sobrevivência e o bem-estar geral de forma a um desenvolvimento saudável e equilibrado e uma plena e bem-sucedida realização familiar.
È preciso eliminar o trabalho precário. O contrato por tempo indeterminado está a ser usado como a modalidade dominante no chamado mercado de trabalho que é cada vez mais desregulado e injusto. È legítimo exigir um emprego que seja gerido como uma fonte de justiça social dignidade e de bem-estar e não uma fonte de instabilidade e exploração e de submissão e de pobreza.
Urge contrariar a mercantilização do trabalho, porque não se coaduna com a aplicação dos direitos humanos e do direito ao trabalho justo e digno. Que está a gerar assimetrias cada vez mais injustas e agressivas, surgindo em muitos casos a regredir o valor económico do fruto do trabalho e da justa sustentabilidade, porque se desenvolve com princípios errados de competitividade dos trabalhadores manipulados em luta de concorrência entre si assente por leis da oferta e da procura.
A declaração de Filadelfia em 1994, proclamou que o trabalho não é uma mercadoria, é antes um marco fundamental dos direitos humanos e da construção dos direitos humanos, e da justiça construída no estado social nos pós guerra. Para todos os trabalhadores, representa que não são um mero fator de produção, mas sim seres humanos, pessoas com direitos individuais e coletivos.
Pensar o Mundo em Transição
Estamos perante a realização de uma nova sociedade, em que a economia digital está a transformar o mundo onde vivemos. Perante a transição digital, os trabalhadores têm que se precaver contra as possibilidades negativas e a falta de adaptação à realidade. Lutar com todos os trabalhadores que venham a ser excluídos dos seus empregos justos, dignos e efetivos e colocados em empregos novos, precários e eliminados de todos direitos adquiridos laborais e sociais.
A implicação da digitalização e dos novos métodos de trabalho, a inovação tecnológica, a revolução da inteligência artificial, a robótica, estão a desenvolver-se rapidamente com consequências na redução de muitos empregos. Assusta saber como se vai processar a reconversão de muitos trabalhadores, antes preparados para desempenhar saberes profissionais praticados ao longo de muito tempo, agora cansados e obrigados a trocar por profissões novas já perto do fim da sua vida ativa.
A Inteligência Artificial, a inovação tecnológica, os robots, já não são fenómenos novos das últimas décadas, mas atingem agora uma abrangência e complexidade e em crescente aceleração, o que justifica a ideia de que se está em curso uma 4ª Geração e autêntica revolução industrial. ao entrar na 5ª Geração muito mais evoluída, esta com consequências ainda desconhecidas que podem ser dramáticas ou benéficas com causas positivas ou negativas para a vida das pessoas, na economia e na organização sociopolítica.
São muitas as interrogações acerca do futuro
O mundo está a enfrentar tendências transformadoras: urbanização, globalização, mudanças demográficas, alterações climáticas e tecnologias emergentes. A continuação do novo desenvolvimento impõe uma especial atenção para com os jovens que mais preparados exigirão a criação de muitos empregos em larga escala.
O impacto das novas tecnologias vai proporcionar riqueza que deve ter uma distribuição para viabilizar a coesão social. Em contraste com o atual modelo que está a falhar na atribuição de justas oportunidades a todos os cidadãos especialmente aos mais jovens.
Como já se referiu, é indispensável e urgente que as sociedades democráticas alarguem o espectro do debate público e as escolhas democráticas a estas questões que têm tudo a ver com a qualidade de vida das pessoas e da sociedade, já no tempo presente e, sobretudo, com as suas implicações para as gerações futuras.
Os desafios do trabalho face às novas tecnologias Século XXI
Para além dos desafios ligados à crise económica e financeira, estamos confrontados em Portugal e nos restantes países do mundo com as alterações decorrentes da chamada quarta revolução tecnológica, ligada a uma generalização sem precedentes da chamada economia digital e pela utilização de robôts. Prevê-se que esta revolução vai provocar rupturas no mundo tal como o conhecemos hoje, as quais se vão traduzir em alterações profundas nos modos de produzir e na nossa vida de trabalho.
De facto, a evolução tecnológica está a transformar aquilo que antes era ficção em realidades reais. É o que se passa com os robôs que já nos substituem entre 35% a 40% do que fazemos nas fábricas e têm a capacidade de realizarem as mais variadas tarefas, tanto nos locais de trabalho como na nossa própria casa.
Com o aproximar do 5º.G. Em muitas áreas da economia, o aumento da automatização pode reduzir empregos,ou torna-los em obsoletos. Os camiões automáticos por exemplo podem levar a perder muitos empregos de motoristas, e também em trabalhadores da logística. No entanto na área Industrial, muitos serão atingidos com empregos que também vão desaparecer ou ficar substancialmente reduzidos.
Os trabalhos de impressão em 3D é uma tecnologia pioneira, em alguns casos que o seu impacto foi positivo mas modesto
Em contrapartida, vão registar-se descidas no emprego de numerosos sectores e profissões, de que são .exemplo:
- Os empregos que dependem exclusivamente do uso de fósseis, através da progressiva substituição do carvão e petróleo por energias limpas e verdes.
- Os empregos em fábricas que conseguirem implementar a robotização
- Os empregos onde é possível recorrerem à formação à distância, que dispensam a presença física.
- Os empregos ligados aos transportes, quando for introduzida a condução guiada por automatismo que prescinde do condutor.
Vamos a caminho do 5º. Geração . O mundo está a enfrentar os desafios que transformaram o modo de vida e do desenvolvimento através das novas tecnologias. As consequências são trazidas por transformações simultâneas,
Urbanas, mudanças demográficas, industriam, alterações climáticas e avanços económicos e sociais.
+ Sindicalista e militante da BASE-FUT
Texto de Apoio ao debate do dia 17 Março (Amigos de Aprender)