No seminário internacional promovido pela Centro de Formação da BASE-FUT, em Vila Nova de Gaia, sobre Coesão Social,Demografia e Democracia teve lugar no segundo dia ,28 de fevereiro, uma mesa redonda com membros de sindicatos de Portugal, Espanha, França, Itália Roménia, Lituânia, Letónia e Albânia com o título “O papel das organizações de trabalhadores no combate às desigualdades e na promoção da coesão social e territorial”. Das suas exposições,
destacamos alguns dos aspetos que consideramos serem de maior relevância. num contexto em que o governo português insiste em desvalorizar o Diálogo Social e a subvalorizar o Movimento Sindical.
As organizações de trabalhadores, em especial os sindicatos, são por vocação própria espaços que contribuem para o reforço da coesão social e territorial, na medida em que:
São espaços únicos de auscultação e expressão das reivindicações dos trabalhadores das diferentes gerações e na defesa dos seus direitos fundamentais;
Organizam e estruturam a Acão coletiva, bem como a solidariedade extensiva a toda a classe trabalhadora;
Os sindicatos, ao participarem na negociação coletiva e nas estruturas do diálogo social dão ainda um importante contributo para a justiça e coesão social dos países europeus. Neste quadro, os sindicatos podem dar uma contribuição fundamental para uma melhor redistribuição da riqueza produzida, mitigando a concentração da mesma num pequeno número de indivíduos, através da valorização dos salários mais baixos, na contenção dos salários de topo e no combate à destruição do tecido produtivo e respetivas consequências nefastas
Em suma, uma estratégia sindical para a coesão passa pela revitalização dos mecanismos de negociação coletiva, salários dignos que permitam um nível de vida digno aos trabalhadores e respetivas famílias (sem esquecer a possibilidade de realizar poupanças) e a melhoria de equipamentos e outros serviços públicos essenciais. Mas esta estratégia pode ir ainda mais longe, recomendando-se: a participação de representantes dos trabalhadores nos conselhos de administração das empresas, um maior ímpeto dado à valorização salarial e a redução da jornada (e também dos próprios ritmos) de trabalho (contribuindo para mais tempo livre, de descanso e uma melhor conciliação trabalho/família).
Apesar da necessidade que as organizações sindicais têm de reinventar algumas das suas formas de comunicação, nomeadamente a comunicação com as gerações mais jovens, com os trabalhadores migrantes e com as trabalhadoras de áreas como a agricultura e o artesanato, é importante ter em consideração que estas organizações atuam dentro de um quadro legal, que pode facilitar ou criar entraves à sua ação. Neste sentido, torna-se imperativo a criação de um sistema de incentivos à ação coletiva e de um quadro legal que reforce o poder destas organizações, por forma a fomentar a adesão e a participação sindical dos trabalhadores.