A natureza do trabalho e as mudanças que o sistema de gestão capitalista vai introduzindo nas relações de trabalho, flexibilizando-as ao máximo, estão a criar locais de trabalho patológicos ou seja geradores de doença psíquica e física. Ao contrário do que os arautos da flexibilização dizem nem sempre esta favorece os trabalhadores! A ausência de horários, a permanente conexão com a hierarquia, colegas ou com os clientes, as intensificações do trabalho podem conduzir progressivamente ao esgotamento, ou seja, ao tal «bournout».
São muitos milhares os trabalhadores que passaram por uma situação destas ou que estiveram na fronteira da mesma! Não dormem bem, têm perturbações gástrico -intestinais, andam cansados e irritados e, em muitos
casos, também têm dores lombares ou cervicais ou outros transtornos músculo esqueléticos! Esta situação pode levar à baixa de produtividade e ao absentismo e à diminuição dos rendimentos, situação que ainda pode agravar o processo pessoal.
Em muitos casos a pessoa que se encontra nesta situação julga-se culpada pela mesma porque se considera menos forte que os outros. As causas estão na maioria dos casos na organização do trabalho, na forma que se gere o trabalho e na empresa. Há autores que colocam o acento no trabalhador, que é ou não resiliente, atirando assim as culpas para este.
A legislação portuguesa, nomeadamente a Lei 102/2009, define as obrigações do empregador no que respeita à prevenção e proteção da saúde e segurança dos trabalhadores.
Caso se sinta nesta situação deve parar para refletir e:
1.Ver quais serão as causas desta situação, em particular as causas relacionadas com o seu trabalho;
2.Nao viva esta situação sozinho, mas partilhe-a num grupo restrito de amigos em quem confie nomeadamente um colega ou familiares, sem qualquer vergonha porque você não é culpado nem se deve culpabilizar;
3.Caso precise de apoio psicológico deve recorrer ao mesmo sem problemas;
4.Deve pedir para falar com o serviço de segurança ou médico do trabalho contratado pela sua empresa para lhes relatar a situação em que se encontra. Caso não exista fale com o seu médico de família.
5.Caso o seu patrão ou chefia não esteja sensível à sua situação e não queira ajudá-lo deve escudar-se no médico do trabalho para que apresente medidas concretas para melhorar a sua situação.
As medidas podem passar por baixa médica, mudança de funções, redefinição de objetivos, horários mais flexíveis, aplicar a lei que proíbe o patrão de ligar ao trabalhador fora dos horários de trabalho, gozar período de férias, ETC.
6.Havendo delegado sindical deve informar o mesmo da sua situação para que sendo necessário possa ter o apoio jurídico e solidário do sindicato. Sindicalize-se para ter mais poder!
O projeto lei do governo que pretende reformar o Código do Trabalho ao promover a precariedade e intensificar o trabalho trará consequências negativas para a saúde do trabalhador, nomeadamente para a sua saúde mental!
A BASE-FUT participa num Grupo Internacional sobre segurança e saúde no trabalho e aprofunda neste momento a questão da saúde mental no trabalho e a violência no trabalho! No prevenir é que está o ganho! Fica mais forte se estiver sindicalizado!