Portugal tem poucas greves ao contrário do que alguns alarmistas dizem para justificar medidas restritivas do direito à greve!
Segundo dados do Ministério do Trabalho registaram-se no setor privado e social 219 greves em 2024, com 139 greves de empresa e 80 de pluriempresa. Nestas greves apenas participaram 66.000 trabalhadores, com a perda 89.294 dias de trabalho. A maioria das greves ocorreram na indústria transformadora, mas na construção não se realizou qualquer greve o que significa que não existam problemas. Na agricultura realizou-se apenas uma greve. Apenas 1922 estabelecimentos estiveram em greve num universo de mais de 300 mil. A maioria das greves,140, tiveram a duração de um dia e 49 entre 2 e 5 dias.
E o sucesso das greves?
Relativamente à aceitação das reivindicações pelas entidades empregadoras a situação não é brilhante. Apenas 7,8% das greves foram totalmente aceites, com 36% parcialmente aceites e 56,3% recusadas.
Mais de 55% das greves realizadas por reivindicações salariais foram totalmente recusadas pelos patrões e quase 36% parcialmente aceites. Mais grave ainda: cerca de 68% das greves realizadas por melhoria das condições de trabalho foram recusadas.
Com estes dados não podemos retirar grandes ilações. No entanto, este fraco sucesso das greves no setor privado pode estar ligado a vários fatores nomeadamente à fragilidade das organizações sindicais em alguns setores como a construção e a agricultura, à forte precariedade, com muito trabalho imigrante, e ao tecido dominante de pequenas empresas.
As greves nos transportes e nos serviços públicos, afetando mais diretamente a mobilidade das populações urbanas e suburbanas, criam a perceção de que temos mais greves do que as que efetivamente ocorrem.
Note-se ainda que se perdem incomparavelmente mais dias de trabalho com os acidentes de trabalho, mais de meio milhão por ano, do que com as greves! No entanto, raramente alguém se manifesta preocupado com esta situação.