Após a realização de quatro reuniões negociais entre as organizações sindicais e a APCOR – Associação Portuguesa da Cortiça, chegaram ao fim as negociações para a revisão do Contrato Coletivo de Trabalho para a vigência de 2026/2027.
Durante todo o processo negocial, o Sindicato dos Operários Corticeiros do norte defendeu uma valorização mais justa dos salários dos trabalhadores do setor, tendo assumido como posição mínima aceitável um aumento salarial de 50,00 euros, correspondente ao valor do aumento do Salário Mínimo Nacional. Entendia o sindicato que este seria o mínimo necessário para evitar que, mais uma vez, as tabelas salariais do setor continuassem a perder terreno face ao Salário Mínimo Nacional.
Contudo, a APCOR manteve-se intransigente ao longo das negociações, afirmando não existir qualquer margem para melhorar a proposta apresentada, considerando-a como a sua proposta final, nos seguintes termos:
- Aumento de 32,00 euros em todos os salários da tabela salarial;
- Aumento do subsídio de alimentação para 0,45 euros por dia;
- Compromisso de que, caso as previsões de inflação para 2026, divulgadas pelo Banco de Portugal em janeiro de 2027, sejam iguais ou superiores a 3,3%, a APCOR voltará à mesa das negociações com as organizações sindicais para reavaliar a atualização salarial.
A Direção do sindicato afirma que «apesar de considerarmos esta proposta insuficiente e distante da valorização que os trabalhadores merecem, fomos igualmente informados de que o SINDEQ, sindicato afeto à UGT, irá proceder à assinatura deste acordo.»
Perante esta decisão, o processo negocial fica, na prática, encerrado, perdendo-se a possibilidade de continuar a exercer pressão negocial para alcançar melhores condições.
Nestas circunstâncias, e ponderando toda a situação, o nosso Sindicato decidiu também proceder à assinatura do Contrato Coletivo de Trabalho. Esta decisão resulta da convicção de que, neste momento, não existem condições para obter melhorias adicionais e também da preocupação de não deixar os trabalhadores do setor dois anos consecutivos sem a assinatura do respetivo Contrato Coletivo de Trabalho, uma vez que já no ano anterior o nosso Sindicato optou por não o assinar.
A Direção conclui «Queremos, no entanto, afirmar de forma clara que este não é o contrato que desejávamos, nem aquele que consideramos justo para os trabalhadores corticeiros. Defendemos até ao limite uma atualização salarial mais digna e que acompanhasse, pelo menos, a evolução do Salário Mínimo Nacional. Infelizmente, a inflexibilidade da entidade patronal impediu que esse objetivo fosse alcançado.»
Os lucros do setor e os ganhos do capital
Segundo a FORBES «O lucro da Corticeira Amorim caiu 20,3%, para 55,6 milhões de euros, em 2025 face a 2024, com a rentabilidade a ser condicionada pelo ‘mix’ de produto e menores volumes, anunciou hoje o grupo. Num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a empresa de Mozelos, Santa Maria da Feira, detalha que o EBITDA (resultado antes de impostos, juros, depreciações e amortizações) consolidado atingiu 141 milhões de euros, o que compara com os 157,6 milhões registados em 2024…..
Na assembleia -geral de acionistas agendada para 4 de maio, o Conselho de Administração da Corticeira Amorim vai propor a distribuição de um dividendo bruto total de 0,35 euros por ação, a pagar na totalidade em maio. No ano passado, as vendas consolidadas da Corticeira Amorim totalizaram 861 milhões de euros, registando uma quebra de 8,3% face ao exercício anterior devido a “pressões sobre os volumes e ‘mix’ de produto decorrentes de um contexto de mercado desafiante”, que afetou todas as unidades de negócio. Excluindo o efeito de alteração do perímetro de consolidação decorrente da alienação participação na Timberman Denmark, as vendas teriam caído 5,3%.»