Os números são de 2024, para o Distrito de Braga que conta com 14 Concelhos Municipais, contabilizando 368.267 trabalhadores, num total de 107.267 empresas e dá um volume de negócios de 36 mil milhões de Euros anuais.
Realidades que atingem a vida dos trabalhadores
As empresas com mais de 250 trabalhadores, por isso consideradas grandes empresas, são apenas 70 neste universo distrital, sendo o Concelho de Braga o que dispõe de maior número de empresas, é o Concelho de Vila Nova de Famalicão que tem maior volume de exportações. Um estudo realizado pela consultora E-Informa para o jornal Diário do Minho, sinaliza que no ano de 2024, as mil maiores empresas do distrito registaram um aumento no volume de faturação na ordem dos mil milhões de euros face a 2023. Para este crescimento contribui a colaboração muito próxima entre universidades e politécnicos da região em ligação com as empresas, gerando empregos mais qualificados e inovadores para chegar a novos mercados, desenvolvendo projetos que elevem o valor acrescentado da economia regional e que a todo o país trazem vantagens. Esta realidade de médias, crescimento e avaliações esconde por vezes realidades que atingem a vida dos trabalhadores. Empresas que até conseguiram apoios estatais, benefícios nacionais e europeus, desenvolvem processos de despedimento coletivo, quase sempre muito marcantes para os trabalhadores e suas famílias.
“Fui Despedida” (Relato na Primeira Pessoa)
Deixamos-vos o testemunho vivido por uma trabalhadora numa empresa das consideradas grandes, situada nas primeiras 25 das maiores mil.
“Sinceramente, acho que no fundo eu já sabia que algo não estava bem. Fiquei alguns meses em casa, a ganhar como a trabalhar à espera de alguma resposta. Cada semana que passava, eu perguntava a mim mesma: Será que vamos voltar ao posto de trabalho? E por fim chegou a chamada para ir a uma reunião com o chefe de recursos humanos. No início, quando o meu chefe me chamou, achei que era mais uma reunião normal, mas quando cheguei ao lugar de encontro o segurança mandou-nos para um pavimento. No mesmo, estão as minhas colegas, chefes e representantes do Sindicato da UGT. Quando ouvi o que os nossos superiores, com um discurso bem ensaiado e cheio de formalidades, eu quase não ouvi metade. Bastou aquela frase: “Infelizmente, devido à reestruturação da empresa, o vosso posto de trabalho vai ser extinto”.
Isto não pode estar a acontecer
Naquele momento senti um vazio estranho no estômago. Não era exatamente raiva… era mais uma mistura de choque, frustração e um certo medo do que vinha a seguir. Perguntei se nos podiam recolocar noutro lugar, mas foi-nos negado e continuaram a falar dos nossos “direitos” “indemnizações” e “processo”, mas só conseguia pensar o que ia fazer da minha vida. Mais tarde saímos com uma carta, para nos apresentarmos noutro lugar onde íamos ser chamadas uma a uma para falar com a chefe geral de recursos humanos. Nos dias seguintes vieram as fases: “Isto não pode estar a acontecer” “Será que falhei?” “Ok… talvez isto abra outras portas”. Hoje, ainda estou a digerir tudo, pois o mesmo continua a acontecer na mesma empresa, mas também começo a ver que, às vezes, sermos empurrados para fora de um lugar pode fazer-nos olhar para direções onde nunca pensaríamos ir.
Nota: Este artigo foi inicialmente publicado no «Voz do Trabalho» e republicado agora com a devida autorização e agradecimento nosso.