Os Republicanos (LR) e a União Centrista (UC) maioritários no Parlamento francês, decidiram, no passado ia 8 de julho, não tornar público um Relatório de 200 páginas, com 39 recomendações sobre o «sofrimento psíquico no trabalho, considerando-o parcial (orienté). Uma clara manifestação sectária na opinião de vários observadores, nomeadamente o jornal Le Monde de 21 de julho que denuncia a situação que considera o referido Relatório um instrumento de reflexão.
Segundo os autores do documento que efetuaram diversas audições o fenómeno do bournout (esgotamento) tomou uma dimensão de uma «irresistível crise sanitária”. O sofrimento físico no trabalho aumentou muito
significativamente entre os anos de 2007 a 2023 passando de 1,3% a 23% nos homens e de 2,4% a 6,7% nas mulheres!
Segundo o Relatório todas as categorias profissionais são abrangidas por este sofrimento, embora algumas sejam mais do que outras-por exemplo os quadros e gestores, incluindo dirigentes de pequenas empresas, artesãos, comerciantes e trabalhadores independentes.
Os autores consideram ainda que o esgotamento em subida não resulta de problemas pessoais, mas sim da degradação de um conjunto de fatores ligados ao ambiente de trabalho e à forma de como se realiza o mesmo nos dias de hoje, nomeadamente com :
-A intensificação das tarefas;
– As mudanças organizacionais permanentes;
– Praticas de gestão verticais e hierárquicas;
– Debilitação dos coletivos em proveito do indivíduo;
– Perda de sentido do trabalho.
As ferramentas numéricas invadiram o quotidiano a ponto de diluir a fronteira entre a atividade profissional e a vida privada, sendo pouco efetivo o direito à desconexão.
O teletrabalho, por sua vez tem efeitos ambivalentes sobre a saúde psíquica dissolvendo o espírito de equipa.
Uma das principais recomendações do Relatório é a proposta de negociação entre sindicatos e patrões no sentido de se criar um quadro jurídico específico para as patologias psíquicas decorrentes do trabalho.
Sugere-se também uma nova forma organizativa nas empresas para a segurança e saúde no trabalho já que a que existe abrange apenas as empresas com mais de 300 trabalhadores e os comités de higiene e segurança foram suprimidos por decreto do Presidente Macron. Propõem também que as queixas dos trabalhadores sejam mais consideradas na tomada de medidas de prevenção….
A BASE-FUT participa no Grupo de Trabalho Internacional sobre Erradicação da Violência no Trabalho tendo como parceiros outras organizações da Espanha, França e Roménia.O Grupo de Trabalho tem o apoio do EZA e da União Europeia!