Violação grosseira do direito internacional na Venezuela

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Os EUA levaram a cabo no passado dia 3 de janeiro uma operação militar que culminou na morte de dezenas de pessoas em Caracas e na captura do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.Qualquer que seja a nossa opinião sobre o regime venezuelano, este ato constitui uma violação grosseira do direito internacional e da soberania da Venezuela. Nada disto tem que ver com combate ao crime, defesa da democracia ou preocupação com o bem-estar do povo venezuelano. É antes uma demonstração crua de poder, uma ação de intimidação sobre todos os países do hemisfério ocidental e uma manobra neo-colonial de apropriação dos ganhos da exploração dos recursos naturais venezuelanos.

Perante isto, é com consternação – mas sem surpresa – que assistimos a mais uma triste demonstração das vistas curtas da União Europeia. Na sua cegueira ideológica, os dirigentes europeus insistem em não perceber que a tibieza – se não mesmo cumplicidade – com que abordam sucessivas violações flagrantes do direito internacional – ontem em Gaza e no Irão, hoje na Venezuela – são um desastre para a já de si frágil posição diplomática da Europa no mundo. A  Europa expõe-se mais uma vez a acusações (justas) de hipocrisia e arrisca a indiferença do resto do mundo quando forem os interesses de segurança europeus a serem postos em causa por violações deste tipo – como, de resto, sucede já na Ucrânia .
O futuro da segurança europeia não está na subserviência a uma superpotência que se comporta cada vez mais como um estado pária. Está sim na garantia do primado do direito internacional e no reforço de instituições multilaterais como as Nações Unidas enquanto garantes fundamentais da paz e cooperação internacionais.
A BASE-FUT apela assim ao Primeiro-Ministro e ao Presidente da República para que condenem veementemente a ação dos EUA em todos os foruns internacionais. Mais: dada a relação histórica de Portugal com o Brasil – um dos alvos indiretos desta ação de intimidação norte-americana – apelamos ao Governo português para que proponha à CPLP uma tomada de posição comum em defesa da reposição da legalidade internacional.

Junta-te à BASE-FUT!