Como vai este País? Dez por cento dos mais ricos detêm tanta riqueza como o resto dos portugueses!

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A desigualdade da distribuição da riqueza em Portugal é brutal. Dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), publicados no âmbito do Inquérito à Situação Financeira das Famílias 2024[1], são sintomáticos: os 10% mais ricos detêm tanta riqueza como o resto da população toda junta. Metade da população detém apenas 8,9% da riqueza total, enquanto os 10% mais ricos possuem 389,6 vezes mais do que os 10% mais pobres. Isto é o retrato do país onde vivemos, resultado de décadas de política de direita que tem favorecido a concentração da riqueza nas mãos de uma ínfima minoria, que domina os órgãos de comunicação, condiciona a decisão política e dissemina a ideologia que justifica e glorifica a sua riqueza.

Esta desigualdade acumulada ao longo do tempo tem a sua origem na forma como, todos os anos, a riqueza produzida é repartida. Menos de metade do total criado anualmente vai para salários e pensões. A parte que se distribui sob a forma de lucros, rendas e juros (excedente bruto de exploração – EBE) é, também ela, profundamente desigual: as 1.723 grandes empresas do nosso país (apenas 0,3% do total) ficam com quase metade de todo o EBE das empresas. Em 2024, apropriaram-se de 35,4 mil milhões de euros, um aumento de 60% face a 2021, enquanto o total do excedente cresceu 49,2%. Ou seja, a concentração da riqueza acentuou-se, e os trabalhadores, que criam essa riqueza, são sistematicamente excluídos da sua justa distribuição.

Esta apropriação desigual reflecte-se, de forma cristalina, nos lucros colossais de um punhado de grandes empresas e grupos económicos. Depois de, em 2021, acumularem lucros líquidos diários de cerca de 16,5 milhões de euros, esses mesmos 18 grupos – da banca, da energia, das telecomunicações, do retalho e da indústria e concessionária de auto-estradas– atingiram, em 2026, a marca dos 32,4 milhões de euros de lucro por dia. A banca, em particular, viu os seus lucros dispararem de 4 milhões por dia em 2021 para 14 milhões de euros diários em 2026, aproveitando a subida das taxas de juro para alargar as suas margens. A energia, com a EDP, a Galp e a REN, soma outros 11,4 milhões diários. Estes números não são fruto de uma «recuperação económica» virtuosa: são o resultado da especulação, da posição dominante no mercado e da ausência de regulação, que permitem que estes grupos imponham preços que penalizam as famílias e as pequenas empresas, engordando os seus lucros à custa do esforço de quem trabalha.

 

[1] Os dados do Inquérito à Situação Financeira das Famílias incidem principalmente sobre o património ou riqueza líquida das famílias. Os dados foram publicados em Maio de 2026, e fazem-se, por norma, de 4 em 4 anos.

Fonte: Documento da Política Reivindicativa para 2027 da CGTP

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